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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A crise tem um culpado: Twitter, go home!, defende Mario Rosa

Nunca existiu crise com o Bebianno,  amor entre o pai presidente e o 02 a mídia corrompe e distorce os fatos


Os militantes da mudança temos de nos mobilizar contra essa grave ameaça que paira sobre a pátria amada! Temos de desembainhar novamente nossos smartphones, temos de invadir mais uma vez todas as redes e desfraldar nossa bandeira pela defesa de nossa soberania e soltar um brado retumbante contra essa erva daninha que tenta destruir nossa nação!

Não, compatriotas, a culpa não é do 02. A culpa não é do sagrado retuíte do Mito. A culpa, muito menos, é do X-9. Quer dizer, do Bebianno (é tanto número: 01, 02, 03, 04…que a gente às vezes se perde um pouco). A culpa é do Twitter! Unamo-nos num coro uníssono: Twitter, go home!

Desde que essa ferramenta do belzebu passou a interagir em tempo real com nossa História, o globalismo (Vossa Excelência prenunciou tudo, Chanceler) se imiscuiu ardilosamente em nossa sociedade para provocar o caos e nos remeter de volta ao atraso. Oh, Jânio, onde estás tu e teus bilhetinhos inofensivos?

Tu os digitava em tantos toques e a nação não sofria os abalos que as forças ocultas do Twitter, agora, tentam nos impingir. Oh, Getúlio, quão humilhante seria se seu sacrifício derradeiro ficasse eternamente registrado com o profano título de “Twitter testamento”?

Pois hoje assistimos a essa profanação inédita de nossa nacionalidade por essa arma engendrada pelos imperialistas que apenas almejam se apoderar de todo nosso nióbio. Essa é a verdade: tentam implantar a baderna no seio de nossas instituições proliferando e empesteando com seus tentáculos pestilentos o ambiente de paz e harmonia em que vivemos, amplificando artificialmente crises que, na verdade, jamais –jamais!– existiram.

Em todo esse caso do querido Bebianno, o que de fato aconteceu? Um filho amantíssimo, o 02, apenas expressou publicamente todo o seu irrefreável amor por seu pai. E um pai, conectadíssimo a esse amor, apenas retribuiu esse carinho fazendo um gesto tocante de reconhecimento. Nunca existiu crise! O que sempre houve foi AMOR!

Essa é a verdade, irmãos, irmãs e compatriotas. O que se segue, depois, é o mais odioso complô perpetrado pelas forças que querem se apoderar de todo o nosso nióbio, pelas forças da mídia corrompida e que teme nossa investida para acabar com os execráveis BVs (bonificações de volume, a grana que as agências recebem da mídia), pelas forças do globalismo, do kit gay e…por aí vai!

Usaram essa invenção do demônio chamada Twitter para distorcer toda a essência de um amor familiar verdadeiro –eles odeiam os valores familiares– e criarem uma intriga contra o nosso querido Bebianno. Ele, coitado, foi usado –repito, foi usado!– por outra ferramenta de dominação das raposas do nióbio: o WhatsApp. Mostrou alguns zaps que recebeu do Mito e dai a mídia golpista (não os outros é que chamam assim)…daí a mídia corrompida distorceu tudo para inventar uma calúnia, como sempre!

Os únicos e verdadeiros culpados nessa história toda e os que deveriam ser punidos. Primeiro, o Twitter! Twitter, go home! Nosso país tem que expulsar imediatamente essa máquina de nossas fronteiras e expropriar todos os seus ativos. Pela salvação do nosso nióbio! O nióbio é nosso! Segunda medida: temos de fazer o mesmo com o WhatsApp. Eles foram cúmplices desse golpe digital contra as riquezas nacionais.

Antes de partirem para o exílio, terão de assinar um pedido público de desculpas ao 02 e ao X-9 (de novo, nada a ver, é que é tanto número! Ainda mais agora com esse Guedes!!! Pedir desculpas ao Bebianno, coitado, caso queiram deixar as instalações prisionais. Essa é a única forma de superarmos toda essa armação: demonstrando que o país respira mais do que nunca ares de lucidez, clareza e normalidade, talquei?

PS: Hoje não vou falar do Mourão.
 
Por: Mario Rosa

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Em desabafo, Bebianno diz que deve desculpas ao país por ter viabilizado candidatura de Bolsonaro



Diante da crise política em que virou protagonista, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, fez um desabafo para interlocutores próximos e demonstrou profundo arrependimento em ter trabalhado ativamente pela eleição do presidente Jair Bolsonaro.

"Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro. Nunca imaginei que ele seria um presidente tão fraco", disse Bebianno para um aliado, numa referência à influência dos filhos do presidente no rumos do governo, especialmente o vereador Carlos Bolsonaro.

Nessas mesmas conversas, Bebianno demonstra preocupação com o efeito desse protagonismo familiar nas decisões do país. E reconhece que o governo Bolsonaro precisa descer do palanque para administrar o Executivo.

Para aliados de Bebianno, também causou contrariedade o movimento da família Bolsonaro para sacramentar a saída do ministro do governo. No momento em que vários aliados trabalhavam na sexta-feira (15) para baixar a temperatura, contornar a crise e manter Bebianno, integrantes da família do presidente vazaram para a imprensa que o pai havia demitido o ministro, para tornar a queda um fato consumado, sem chance de mudança no fim de semana.
 
fonte: Por Gerson Camarotti

O que pensa Carlos Bolsonaro, em 500 tuítes

Levantamento feito em perfil de filho do presidente mostra que 72,2% do que ele escreve são ataques; elogios representam somente 8,8%, e citações a atos do governo, 8,4% 


Filho mais próximo do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro deflagrou a primeira crise no coração do Palácio do Planalto ao usar o Twitter para atacar Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência. O comportamento, porém, não é exceção. O “pitbull” da família usa a rede social como uma metralhadora giratória. E não é repreendido pelo presidente por isso.

O GLOBO analisou 500 tuítes feitos por Carlos entre 15 de dezembro e 15 de fevereiro e constatou que 72,2% das postagens feitas pelo parlamentar são ataques. O alvo preferencial é a imprensa, mas também sobram bordoadas para a esquerda e até mesmo para aliados, como Bebianno.
 
Metralhadora giratória
 
Pelo Twitter, vereador do Rio interfere até no governo federal
 
  • Em 13 de fevereiro, diz que o ministro do pai está mentindo e aumenta a crise no Planalto. Também já criticou deputados no PSL na Alerj
  • Em 18 de dezembro, reclama da imprensa. Muitas vezes, rebate reportagens e bate boca com jornalistas
  • Apontado como guru do ideário bolsonarista, Olavo de Carvalho costuma ser elogiado pelos filhos do presidente

Jurista paranaense diz que direito não está valendo na condenação de Lula

Professor de Direito Carlos Frederico Marés faz uma análise sobre os últimos capítulos desses processos.


A juíza federal substituta Gabriela Hardt condenou, em 06 de fevereiro, o ex-presidente Lula por corrupção e lavagem de dinheiro em ação da Lava Jato sobre o chamado “sítio de Atibaia”. Os principais argumentos utilizados pela juíza na sentença são depoimentos dados como delações premiadas, em que condenados negociam perdões em troca de denúncias a outras pessoas. 
 
Vários juristas já questionaram a qualidade jurídica da sentença, bem como a fragilidade e inconsistência de provas em todo o processo que levou o Lula à prisão. Em entrevista ao Brasil de Fato, o professor de Direito Carlos Frederico Marés faz uma análise sobre os últimos capítulos desses processos.

Como o senhor analisa a última sentença proferida pela juíza substituta Gabriela Hardt contra Lula?

Carlos Marés – A sensação que dá ao ler a sentença é que ela fez apressadamente para que pudesse assinar e não deixar na mão do juiz que assumiu. Talvez nem ela nem Moro tivessem confiança que outros juízes seguiriam a mesma linha deles.

O texto e argumentos usados por ela foram muito criticados por juristas. Qual sua opinião?

A primeira coisa que se tinha de provar era que a propriedade, seja do sítio de Atibaia, seja do apartamento, era do Lula. Não existe essa prova nem antes nem agora. De novo, não aparecem provas. A segunda questão é relativa aos benefícios e melhorias nas propriedades. Não há provas materiais novamente nesse processo. Portanto, não tem nenhuma novidade, ela segue a mesma linha de Sérgio Moro. Quer dizer, uma sentença juridicamente fraca e inconsistente.

O senhor tem dito que o processo contra Lula é um desrespeito ao direito. Como isso se relaciona a esta última sentença?

Do ponto de vista jurídico, a sentença da juíza Gabriela Hardt apenas confirma que não é o direito que está valendo para as condenações a Lula. Sendo assim, podemos falar que Lula é preso político. Digo isso porque as sentenças baseiam-se em juízos políticos. Não dá menor relevância para provas, não busca provas.
 
 

Bannon diz que Bolsonaro irá afastar Brasil da China

"O Brasil será um dos campos de batalha nisso, porque a China não vê o Brasil por seu capital humano, vamos ser francos.


Steve Bannon, líder global do populismo de direita e um dos porta-vozes dos interesses imperiais, afirma que o governo de Jair Bolsonaro irá afastar o Brasil da China, país que mais importa produtos brasileiros – sobretudo do agronegócio – e que também mais investe na economia brasileira. Segundo ele, o Brasil será palco da guerra entre Ocidente (Estados Unidos) e China.

"O Brasil será um dos campos de batalha nisso, porque a China não vê o Brasil por seu capital humano, vamos ser francos. O que eles veem é uma maciça oportunidade de recursos naturais e agricultura. Esse conflito global econômico entre o Ocidente... Lembre, quando Trump diz sobre mudanças estruturais é para trazer a cadeia de fornecimento de volta às democracias industriais.
 
Quando isso acontecer, irá explodir a economia do Brasil, as taxas de crescimento. O tipo de capitalismo que eles fazem no Brasil e na África Subsaariana incentiva as elites, controla infraestrutura e recursos naturais através da elite, é um capitalismo predatório dos chineses que têm de ser quebrado. Um dos locais-chave para quebrá-lo é o Brasil", afirma Bannon, em entrevista à jornalista Beatriz Bulla, correspondente do Estado de S. Paulo em Washington.

Bannon também exaltou o astrólogo Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, que ataca China e defende a submissão do Brasil aos Estados Unidos. "A história vai mostrar que ele é um dos grandes conservadores e filósofos. O que ele faz no Brasil, seus escritos estão cada vez mais conhecidos nesse movimento. Acho que ele será mais e mais conhecido a cada ano, não só para o Brasil, mas para o entendimento desse movimento numa perspectiva mundial", diz ele.

Enquanto a família Bolsonaro está alinhada com a ideia de Brasil como colônia dos Estados Unidos, o general Hamilton Mourão tenta resistir.

domingo, 13 de janeiro de 2019

O dilema entre ser “bobo” da corte da direita e o de achar que é rei.


 
Oito dias “fora do ar”, olhando de longe as notícias, escapei de comentar as presepadas da semana do – vá lá o exercício de boa-vontade – governo Jair Bolsonaro.

A nítida impressão que se tem é a de que dois núcleos se esforçam para manter o presidente “dentro da casinha” e fazê-lo (e aos filhos e siderados que acompanham a família) se convencerem que podem tudo, menos arranjar problemas para o processo de liquidação da soberania nacional e dos direitos sociais.

Refiro-me aos militares e ao “ultramercadismo” representado por Paulo Guedes, ambos diuturnamente empenhados em demonstrar que Jair Bolsonaro deve se contentar com seus delírios policialescos e morais e deixar por conta deles o “governo de verdade”, o que mexe com dinheiro e com o papel do Estado na vida nacional.

Fingem que não ligam para Jesus na goiabeira ou “anauê Jaci” ministeriais e papagaiadas como a liberação da posse de armas e focam no essencial: o aniquilamento da previdência pública e da remanescente presença estatal na áreas essenciais de economia, bem como no extermínio dos direitos trabalhistas, “herança maldita” do varguismo que, desde 1945, se opõem.

Nem mesmo ligam ao constrangimento de desmentir publicamente o chefe nas “maneiradas” que deu sobre a reforma previdenciária, sobre a qual o “mercado” já saliva de gosto pela privatização, via modelo de capitalização, dos recursos da aposentadoria. Que, claro, não tocarão nos privilégios – alguns legítimos, outros não – que a corporação castrense desfruta.

Sob este aspecto, já é possível notar a preocupação em fazer o Presidente “já ir se acostumando” à ideia de que é apenas um instrumento conveniente para seus projetos e que precisa ser comedido para não acentuar o descrédito público que seus exageros e trapalhadas já provocaram em parcelas da classe média.

É a estes núcleos que vão se juntar dois personagens importantes: Dias Tóffoli, no Supremo Tribunal Federal, e o general Villas-Boas, que não teve pudor em aceitar, no estado de debilidade física em que se encontra, um cargo de “aspone” no gabinete militar do Planalto. Ambos sinalizam que haverá, por enquanto, um monolitismo de Judiciário e Forças Armadas na defesa do desmonte do Estado brasileiro.

Circunstancialmente, tudo está a favor deles, embora esteja nítido que a direita brasileira não tem mais o rafinessment intelectual dos que ela cooptou antes, desde Carlos Lacerda a Fernando Henrique Cardoso. Toscos e brutais, mesmo no quadro de mediocridade que hoje nos assola, terão dificuldade em construir um discurso que os justifique.

Bolsonaro pode dar um ótimo bobo da Corte, mas há o risco de achar que é rei.
 


Publicado por Tijolaço
 Por Fernando Brito