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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Bebê e 2 crianças morrem após desabamento em Mauá; outra está desaparecida

Barranco desmoronou sobre casas no começo da noite deste sábado (16). Segundo a Prefeitura, 13 deslizamentos foram registrados por causa da chuva. 






Uma bebê de 11 meses e duas crianças morreram e outra está desaparecida após o desabamento de duas casas, em Mauá, na Grande SP, por causa da forte chuva que atingiu a cidade na noite de sábado (16). Os corpos estavam soterrados e foram resgatados na madrugada deste domingo (17). Os bombeiros continuam as buscas pela 4ª vítima.

Segundo a Prefeitura de Mauá, 13 deslizamentos de terra e 5 desabamentos foram registrados na cidade desde a noite de sábado. Dois deles com vítimas.

Um menino de 8 anos e a irmã dele, de 11 meses, estão entre os mortos. Eles foram atingidos pelos escombros da casa onde moravam, na na Rua Ane Altomar, no Jardim Zaira, após um deslizamento de terra.

"O barranco da casa de cima despencou e derrubou a laje da casa de baixo sobre os moradores", afirmou o secretário de governo da Prefeitura de Mauá, João Veríssimo.

A mãe das crianças foi resgatada com uma contusão no ombro ainda durante a noite. Um homem de 41 anos também foi atingido e teve uma fratura exposta. Ele foi encaminhado ao Pronto-Socorro.

Em outro desabamento no mesmo bairro, na Avenida Cidade de Mauá, outras duas crianças também foram soterradas. Um menino foi resgatado sem vida por volta das 5h e a outra criança segue desaparecida. A mãe delas foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
 

Dezesseis viaturas do Corpo de Bombeiros foram para o local, com 50 bombeiros. Cães farejadores também foram enviados para a ocorrência. A Defesa Civil foi acionada.

Segundo o secretário de governo, as buscas continuaram pela madrugada com cautela. "Ainda há risco de novos deslizamentos", disse Veríssimo.

Outras vítimas foram resgatadas e levadas para o Pronto-Socorro do Hospital Nardini. A Prefeitura ainda não contabilizou o número total de feridos.

Áreas do entorno foram interditadas e 5 famílias tiveram que deixar suas casas. Os desabrigados foram encaminhados para casas de familiares.

Enchentes na capital

O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo colocou toda a capital paulista em estado de atenção para alagamentos das 16h51 deste sábado (16) até as 22h20.

Durante todo o dia, o Corpo de Bombeiros recebeu 147 chamados para queda de árvore. Além disso, foram registrados 62 pontos de enchente e 81 deslizamentos/desabamentos.

A Avenida Anhaia Mello, na Zona Leste de São Paulo, ficou alagada. Três pessoas chegaram a ficar ilhadas, mas foram resgatadas e deixadas em segurança pelo Corpo de Bombeiros.

Na Rua Marcial, na Mooca, um muro desabou e atingiu uma pessoa, que recusou o atendimento do Corpo de Bombeiros.

Por causa de um alagamento, os trens da linha 7-Rubi estão circulando por apenas uma via, e a velocidade está reduzida no trecho entre Francisco Morato e Jundiaí.

Aeroporto ficou fechado

O temporal causou estragos desde o início da manhã de sábado. O Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da capital, interrompeu temporariamente seu funcionamento. São Caetano do Sul, no ABC, também sofreu com a chuva forte.

Pelo menos 15 casas foram atingidas por um deslizamento de terra na Rua Pandalhos, no Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo. Ninguém ficou ferido, segundo os bombeiros.



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Número de mortos em Brumadinho chega a 142; há 194 desaparecidos

Equipes têm trabalhado na região onde aconteceu a tragédia no interior de Minas Gerais


O número de mortos após rompimento da barragem em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, chegou a 142 nesta terça-feira, 5, segundo informações divulgadas pela Defesa Civil mineira. Há 194 desaparecidos.

A barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, se rompeu no dia 25 de janeiro. Os rejeitos da barragem atingiram a parte administrativa da mineradora Vale, uma pousada e uma comunidade próxima da mina. Desde a sexta-feira, bombeiros buscam desaparecidos na região.

De acordo com a Defesa Civil, dos 142 corpos encontrados 122 já foram identificados. Outros 20 permanecem sem identificação. Há ainda 194 pessoas desaparecidas e 103 desabrigadas.

Imagens divulgadas na última sexta-feira, 1º, revelam o exato momento em que se rompeu a barragem em Brumadinho. A gravação mostra o dique principal se destruindo e uma onda de lama avançando sobre o terreno com grande velocidade e força.

O relatório da consultoria alemã Tüv Süd, que atestou a estabilidade da barragem mostra que a base da estrutura estava no limite de segurança previsto pelas normas do País. Em visita a campo, a equipe encontrou 15 pontos que exigiriam atenção, como necessidade de um novo radar e medidores de pressão na estrutura. A Vale disse que fazia inspeções constantes – a última em 22 de janeiro, três dias antes do colapso.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Cinco engenheiros que atestaram segurança de barragem em Brumadinho (MG) são presos



Na manhã desta terça-feira (29) em São Paulo (SP), dois engenheiros da empresa TÜV SÜD, prestadora de serviços para a Vale, foram presos pela Polícia Federal, enquanto em Minas Gerais outros três engenheiros da Vale foram detidos por atestarem a segurança da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG).

Apesar de representantes da empresa alegarem que a Vale não tem responsabilidade, o Ministério Público e a polícia apuram se os documentos técnicos, que atestavam a segurança da barragem, foram fraudados.

Até a noite desta segunda-feira (28), a Defesa Civil de Minas Gerais notificou a morte de 65 pessoas e o desaparecimentos de outras 279. Hoje começa o quinto dia de buscas na região metropolitana de Belo Horizonte.

Em São Paulo, foram presos André Yassuda e Makoto Namba, na zona sul da cidade. Chamou a atenção dos investigadores a presença de recortes, na casa de Namba, da tragédia de Mariana, em 2015. Os engenheiros presos participaram de forma direta na validação da barragem como segura.

Ainda hoje, empresas que prestam serviços pela Vale terão mandados de busca e apreensão cumpridos em suas sedes pela força-tarefa composta pela Polícia Federal, Ministério Público Estadual, Federal e a Polícia Civil.

domingo, 27 de janeiro de 2019

ISRAEL SALVADOR: Avião de Israel com 124 soldados chega a Minas Gerais

Desembarcou no aeroporto de Confins Equipe auxiliará resgate em Brumadinho 


A aeronave israelense com 124 técnicos, especialistas, médicos e equipamentos para ajudar nas buscas por vítimas em Brumadinho chegou neste domingo (27.jan.2019) ao aeroporto de Confins, a 40 quilômetros de Belo Horizonte. O avião pousou em Minas Gerais por volta das 21h30.

Assista ao momento da chegada:


De acordo com o Ministério de Desenvolvimento Regional, os israelenses serão levados de helicóptero até o campo de futebol da cidade do interior mineiro.

A ajuda foi oferecida pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, depois de conversar por telefone com o presidente brasileiro neste sábado (26.jan). Os aparelhos enviados serão usados para detectar pessoas soterradas.
Visita ao Brasil

Dias antes da posse de Bolsonaro, Netanyahu veio ao Brasil e reuniu-se com o presidente brasileiro. Em 1º de janeiro, o israelense chegou à Brasília para participar da cerimônia oficial em Brasília. A visita aconteceu após Bolsonaro defender a transferência da Embaixada do Brasil em Israel, de TelAviv para Jerusalém.

Leia a nota de Bolsonaro sobre sobre a conversa com Netanyahu:

“Nota Oficial do Presidente da República:
Estive, nesta manhã, na região de Brumadinho, em Minas Gerais, atingida tragicamente pelo rompimento da barragem da Vale S.A.
Sobrevoei a área, verifiquei a extensão dos danos e confesso minha tristeza, principalmente pela perda lamentável de vidas humanas.
Acompanhei, juntamente com o Governador Romeu Zema, a avaliação das equipes dos órgãos governamentais e determinei que o Governo Federal proporcione total suporte à população vitimada por esse desastre.
Disponibilizaremos recursos humanos, financeiros e tecnológicos para apoiar o Estado de Minas Gerais.
Paralelamente, adotaremos todas as medidas necessárias para que tragédias como essa não se repitam e não fiquem impunes.
Foi oferecido e aceitamos, por parte do 1º Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ajuda na busca de desaparecidos.
Presidente Jair Bolsonaro”.
58 mortos em Brumadinho

O rompimento da barragem em Brumadinho, Minas Gerais, já supera em número de mortos o desastre de Mariana, em 2015. Até a noite deste domingo (27.jan), 58 pessoas haviam sido resgatadas sem vida. Há 4 anos, 19 pessoas morreram em 1 desastre similar em Mariana.

O total de resgatados já soma 192. Pelo menos 305 pessoas ainda estão desaparecidas. As buscas por sobreviventes foram suspensas às 20h. Serão retomadas às 4h da madrugada desta 2ª feira (28.jan).

MUDANÇA DE PLANOS: Governo Federal quer mudar protocolo de licenciamento de barragens

Segundo o general Augusto Heleno, chegou-se à conclusão de que 'é importante e urgente' que as barragens que ofereçam mais riscos sejam submetidas a uma nova vistoria


Após reunião de duas horas no Palácio do Planalto com representantes dos ministérios envolvidos em ações governamentais referentes à tragédia em Brumadinho (MG), o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, disse a jornalistas que o governo tem a intenção de mudar o protocolo de licenciamento das barragens brasileiras.

O ministro informou que, no encontro, chegou-se à conclusão de que “é importante e urgente” que as barragens que ofereçam mais riscos sejam submetidas a uma nova vistoria para que eventuais desastres possam ser evitados. Sem entrar em detalhes, Heleno afirmou que, como existe uma qualificação de risco, o governo poderá fazer um escalonamento dessa nova vistoria.

O ministro disse ainda que o objetivo da reunião foi de que não haja a superposição de esforços e que cada ministério defina suas responsabilidades no desenvolvimento das ações de governo. De acordo com o general, as pastas especializadas no assunto atuarão para que o protocolo seja revisto. “Porque parece que há alguma coisa que está falhando nesse licenciamento”, disse.

Dez corpos são encontrados em ônibus soterrado que levava funcionários da Vale

Todos os que estavam no coletivo eram funcionários da empresa, mas corpos ainda não foram identificados. Mais de 30 pessoas morreram e mais de 250 estão desaparecidas


Cerca de 10 corpos foram retirados do ônibus encontrado próximo ao local do rompimento da barragem em Brumadinho (MG), de acordo com o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

A identificação dos corpos, porém, ainda não foi feita pela Polícia Civil, já que demanda um tempo maior por ser um trabalho delicado, segundo Aihara. O que se sabe é que todos os ocupantes do veículo eram funcionários da empresa.

O mar de lama destruiu casas e há pessoas desaparecidas. Havia empregados da Vale no local atingido pelo rompimento. Ao menos seis prefeituras emitiram alerta para que população se mantenha longe do leito do Rio Paraopeba, pois o nível pode subir.

Depois de bloquear R$ 5 bilhões para a reparação de danos ambientais, a Justiça mineira deferiu liminar determinando o bloqueio de outros R$ 5 bilhões da Vale para garantir a reparação dos danos às pessoas atingidas pelo rompimento das barragens da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho.

A decisão foi proferida em Ação Cautelar Antecedente proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais.

sábado, 26 de janeiro de 2019

ISRAEL SALVADOR: Israel vai mandar, até domingo, avião com equipe e equipamento de resgate

Será enviada uma aeronave com equipe de cerca de 70 ou 80 pessoas, além de equipamentos especiais, de acordo com embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelly


A ajuda que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ofereceu ao presidente Jair Bolsonaro para ajudar no resgate das vítimas de Brumadinho (MG) deve decolar entre a noite deste sábado e a manhã de domingo, 27 não se sabe qual será o custo dessa ajuda para o povo brasileiro.

Será enviada uma aeronave com equipe de cerca de 70 ou 80 pessoas, além de equipamentos especiais, de acordo com embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelly. A previsão dele é que o auxílio chegue em Minas no domingo.

“Infelizmente, temos experiência (de resgatar pessoas soterradas) devido a atentados que derrubam casas”, explicou o embaixador.

Além da equipe de resgate, Israel também vai mandar dois ou três especialistas para inspecionar outras barragens e avaliar riscos de evacuar outras comunidades próximas de atividades de mineração. Segundo Shelly, a iniciativa atende um pedido de Bolsonaro.

O presidente havia anunciado mais cedo que disponibilizaria equipamentos obtidos em parceria com Israel nas buscas pelas vítimas, com tecnologia capaz de localizar pessoas que estejam enterradas.

Bolsonaro se reuniu no Aeroporto de Confins com o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Colocou recursos do governo federal à disposição do Estado.

DESAPARECIDOS
 
O governo de Minas Gerais confirmou na noite de sexta-feira, 25, que ao menos 11 pessoas morreram atingidas pelo rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Foram resgastadas 46 pessoas 296 estão desaparecidas.

ISRAEL TECNOLOGICO: Bolsonaro oferece equipamentos de Israel para ajudar em busca por vítimas

Segundo comandante do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, presidente disse que disponibilizará aparelhos com tecnologia capaz de localizar pessoas que estejam enterradas


Após sobrevoar a área da tragédia em Brumadinho, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o governador Romeu Zema, o presidente da Vale Fabio Schvartsman, a procuradora-geral da República Raquel Dodge, ministros e representantes do governo de Minas Gerais no Aeroporto de Confins e colocou à disposição do Estado recursos do governo federal, como reforços nas equipes de buscas e equipamentos.

Segundo Zema e o coronel Estevo, comandante do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, Bolsonaro disse para eles que disponibilizará equipamentos obtidos em parceria com Israel nas buscas pelas vítimas, com tecnologia capaz de localizar pessoas que estejam enterradas.

"Nós estamos aguardando nos próximos dias e fazendo uma análise melhor do terreno para empregar no momento certo outras tropas especializadas. Muito provavelmente vamos precisar de cães farejadores a partir de segunda-feira e faremos o contato tanto com o governo federal quanto com os Corpos de Bombeiros de outros Estados", afirmou o coronel.

O governador Romeu Zema agradeceu o suporte oferecido. "Eles vieram ver de perto a tragédia em Brumadinho e o governo federal se colocou à disposição naquilo que puder ajudar.

Já Bolsonaro evitou a imprensa e foi direto para o avião presidencial sem dar nenhum tipo de declaração sobre a tragédia.
Governador fala em "punição exemplar" para responsáveis pelo acidente

Em coletiva após se reunir com o presidente, Zema afirmou que os responsáveis pelo acidente, que pode ter deixado centenas de mortos, terão uma punição exemplar.

"Quero frisar que os envolvidos nessa tragédia serão punidos exemplarmente. Todas as medidas judiciais já foram tomadas e recursos na casa dos bilhões, bloqueados, de forma que a punição seja a mais rigorosa possível", destacou Zema. "Aquilo que a lei prevê, será feito", acrescentou.

O governador disse também que a legislação terá de ser revista para evitar novas tragédias. "Essa barragem que rompeu estava inativa . Há anos que não recebia mais nenhum tipo de material. Então, nós estamos vendo que, aqui em Minas, os mortos estão ressuscitando, o que é muito preocupante. Vai ser necessário rever protocolos, porque não podemos ficar sujeitos que esse tipo de coisa ocorra novamente", ironizou.

Por fim, Zema afirmou que tanto os critérios federais quanto os estaduais serão revistos para que isso não aconteça mais. Mas ele garantiu que, apesar disso, a legislação atual já é bem dura. "A legislação ambiental de Minas, assim como a nacional, é uma das mais rigorosas. É prematuro fazer qualquer diagnóstico da tragédia de ontem, mas, a princípio, todos os alvarás e licenças estavam em dia, mas uma mina desativada há quatro anos se rompeu."


Risco de rompimento foi citado na tensa reunião que aprovou licença da barragem



A ata da reunião extraordinária do órgão ambiental de Minas Gerais que aprovou em dezembro, de forma acelerada, a ampliação das atividades do complexo Paraopeba, que inclui a mina Córrego do Feijão, mostra que o risco de rompimento, que acabou ocorrendo nesta sexta (25), foi objeto da discussão.

Em 11 de dezembro de 2018 reuniu-se extraordinariamente a Câmara de Atividades Minerárias, na sede da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, para deliberar sobre a licença para a continuidade das Operações da Mina da Jangada e a continuidade das operações da Mina de Córrego do Feijão.

Após ampla e acalorada discussão, com manifestação contrária da comunidade local por causa de possíveis abalos hídricos, representantes do governo estadual e das empresas aprovaram com folga as licenças: 8 votos contra 1, com 1 abstenção.

O representante do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Julio Cesar Dutra Grillo, justificou a abstenção citando ações que considerava corretas por parte da empresa, mas fez um alerta.

“Esse projeto traz algumas novidades positivas. Uma delas é o descomissionamento [eliminação] de uma barragem de 10 milhões que 2889 está acima de Casa Branca. A população de Casa Branca está preocupada com muitas coisas, com toda razão, mas não manifesta preocupação sobre aquilo que eu considero que é potencialmente o maior problema de Casa Branca”, disse Grillo.

“O que é esse problema? Casa Branca tem algumas barragens acima de sua cabeça. Muita gente aqui citou o problema de Mariana, de Fundão, e vocês têm um problema similar. E ali é o seguinte, essas barragens não oferecem risco zero. Em uma negligência qualquer de quem está à frente de um sistema de gestão de risco, aquilo rompe. Se essa barragem ficar abandonada alguns anos, não for descomissionada, ela rompe, e isso são 10 milhões m³, é um quarto do que saiu de Fundão, inviabiliza Casa Branca e inviabiliza ao menos uma das captações do Paraopeba”, acrescentou.

Mais cedo, ele havia dito que qualquer projeto que de mineradora que cai no órgão é aprovado porque os ambientalistas são minoritários.

A aprovação, com um licenciamento único e mais rápido, foi obtida através de uma diminuição do potencial de risco da barragem.

O licenciamento deveria ter sido realizado em três fases —de licença prévia, de instalação e de operação—, mas foi feito de uma só vez. Isso porque a mina Córrego do Feijão era tida como classe 6, com maior potencial poluidor e, por isso, necessitando um licenciamento ambiental trifásico. Ao passar para classe 4, pulou etapas de licenciamento.

“Sobre essa questão da classe 4 e do licenciamento ambiental concomitante em uma única fase, o nosso parecer de vista apontou trechos do Parecer Único da Suppri [Superintendência de Projetos Prioritários], que claramente demonstram que essa ampliação e continuidade da Mina da Jangada, concomitante com Córrego do Feijão, é para até 2032, um incremento de 88% na produção. Eu nem tenho a palavra certa para falar, mas é abominável que tenhamos hoje esse empreendimento como classe 4, quando sempre foi classe 6”, reclamou Maria Teresa Viana de Freitas Corujo, do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas (Fonasc).

Ela foi o único voto contrário às licenças. Segundo Curujo, a proposta não era de eliminação da barragem, mas de incremento de continuidade das minas Jangada e Feijão.

Rodrigo Ribas, superintendente da Suppri, rebateu as críticas de forma contundente.

“Senhor presidente, a equipe técnica terminou aqui a sua manifestação, e eu quero fazer um breve desabafo. Nós somos funcionários públicos, nós servimos à sociedade. Atualmente, nos últimos dois anos e pouquinho, nós temos servido à sociedade com os salários parcelados. Para o senhor saber, a minha equipe não recebeu o salário de novembro. Então, é extremamente desagradável que as pessoas, de maneira irresponsável, vil, cruel, cheguem para uma equipe sensacional, bacana, que está aqui em todas as reuniões disposta a discutir todos os pontos técnicos, todos os pontos políticos, todos os pontos jurídicos com quem quer que seja, e chamem a minha equipe de criminosa”, disse, se referindo a relatos de participantes da reunião.

Segundo ele, o processo de licença foi plenamente analisado e tratava-se de uma ampliação de um descomissionamento de barragem. “É um reaproveitamento de rejeito em barragem. (…) E aí vem um projeto que se propõe a apresentar um ganho ambiental a partir de inversão tecnológica, e nós vamos discutir aqui com base no acidente de Mariana. São casos completamente diversos. Nós tivemos muita tranquilidade naquele parecer que elaboramos e estamos muito seguros em relação a ele”, disse o técnico.

Juiz ordena bloqueio de R$ 1 bilhão da Vale por desastre em Brumadinho

Decisão foi concedida em tutela de urgência em resposta a uma ação do governo de Estadual de Minas Gerais, que havia acionado a Vale, pedindo sua responsabilização pelo desastre


O Juiz de plantão da Vara de Fazenda Pública de Belo Horizonte, Renan Carreira Machado, determinou no fim da noite desta sexta-feira, 25, o bloqueio de R$ 1 bilhão nas contas da mineradora Vale por conta do desastre provocado pelo rompimento da barragem em Brumadinho.

A decisão foi concedida em tutela de urgência em resposta a uma ação do governo de Estadual de Minas Gerais, que havia acionado a Vale, pedindo sua responsabilização pelo desastre que resultou, até o momento, em sete mortes.

O magistrado concedeu a liminar diante da “tragédia anunciada”. “Evidenciado o dano ambiental, na espécie agravado pelas vítimas humanas, em número ainda indefinido, cabe registrar que a responsabilidade da Vale S/A é objetiva, nos termos do art. 225, §§2º e 3º, da Constituição da República”, registrou o Juiz.

Machado deferiu o pedido, que havia sido feito pelo Governo de Minas, por “indisponibilidade e bloqueio de R$1.000.000,00 (um bilhão de reais) da Vale S/A ou de qualquer de suas filiais indicadas […] com imediata transferência para uma conta judicial a ser aberta especificamente para esse fim, com movimentação a ser definida pelo juízo competente pelo Estado de Minas Gerais”.

Outras determinações foram feitas pelo Juiz de plantão, são elas: impedir que os rejeitos contaminem as fontes de nascente e captação de água; ter total cooperação com o Poder Público no resgate e amparo às vítimas, devendo apresentar no prazo de 48h relatório pormenorizado das medidas adotadas; iniciar a remoção do volume de lama lançado pelo rompimento da barragem, informando semanalmente ao Juízo e às autoridades competentes as atividades realizadas e os resultados obtidos; realizar o mapeamento dos diferentes potenciais de resiliência da área atingida.

O Governo de Minas também pediu a indisponibilidade das ações da empresa Vale em Paris, Nova York e São Paulo, mas não foi concedido na tutela de urgência do Juiz da Vara de Belo Horizonte.

Bombeiros confirmam nove mortes após rompimento de barragem; 300 estão desaparecidos

Nesta manhã, a Vale divulgou em seu site uma lista com os nomes de funcionários com os quais não se conseguiu contato até o momento. São 413 trabalhadores, dos quais 90 são terceirizados, de acordo com as informações divulgadas às 9h.


Em nota divulgada para a imprensa na manhã deste sábado, 26, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou que nove pessoas morreram no desastre ocorrido nesta sexta-feira, 25, em Brumadinho, após o rompimento de uma barragem da Vale na região.

Segundo as estimativas, 300 pessoas estão desaparecidas e 189 já foram resgatadas. No entanto, existe uma discrepância na divulgação do número de mortos e desaparecidos feita pelo Governo de Minas, que confirmou, na noite desta sexta-feira, sete mortos e 150 desaparecidos.

Os números podem ser ainda maiores. Nesta manhã, a Vale divulgou em seu site uma lista com os nomes de funcionários com os quais não se conseguiu contato até o momento. São 413 trabalhadores, dos quais 90 são terceirizados, de acordo com as informações divulgadas às 9h. A lista está sendo atualizada em tempo real, conforme as pessoas são localizadas. Na sexta-feira, 25, a justiça decretou o bloqueio de R$ 1 bilhão da empresa.

A empresa disponibilizou também atendimento telefônico à população, assim como ações de uma equipe de assistenes sociais e psicólogos para atendimento dos atingidos e de seus familiares. Os números para contato são: 0800 285 7000 (Alô Ferrovia – prioritário) e 0800 821 5000 (Ouvidoria da Vale).

NOVOS RISCOS
 
O risco de rompimento de uma segunda barragem de água levou a Defesa Civil a suspender as buscas e evacuar as áreas atingidas pela lama e duas comunidades ribeirinhas. A decisão foi tomada de madrugada. Agora, novas equipes são esperadas, de acordo com equipes de resgate que trabalharam no local. Elas vão trabalhar na contenção. Um grupamento do exército de Juiz de Fora também é aguardado e deve assumir a tarefa de retirada dos corpos por decisão do governo. Na região, fala-se em até 500 mortos.

Os corpos estão sendo levados para um edifício próximo à UPA DE Brumadinho. Na UPA, estão também alguns dos feridos

O vendedor Gledson Alves aguarda notícias do primo Ramon Jr. Pinto, desaparecido. Ele próprio também teve que sair de casa porque há risco de que mais rejeitos desçam pelo Rio Paraopeba, que passa atrás de sua residência. segundo ele, os rejeitos formaram uma barragem que impede a descida de água e mais lama, mas há risco de rompimento.

“A polícia passou de madrugada com ônibus e alto falantes pedindo para as pessoas saírem de casa, mas muita gente não quis sair”, conta.

O desempregado Fernando NInes Araujo, irmão de Peterson Ribeiro também aguarda informações. O irmão, contratado de uma terceirizada da Vale, estava trabalhando justamente na área da represa. “Para piorar, a prefeitura criou uma barreira que não deixa ninguém chegar perto”, reclama. “Até para chegar no posto de atendimento está difícil”, diz.

ENTENDA O CASO
 
Uma barragem da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, se rompeu na tarde desta sexta-feira, 25. Segundo a empresa, a área administrativa, onde estavam funcionários, foi atingida, assim como a comunidade da Vila Ferteco. Segundo o Corpo de Bombeiros, há cerca de 200 desaparecidos.

Segundo informações do site da Vale sobre as barragens da região, a barragem 1 foi construída em 1976 e tem volume de 12,7 milhões de m³. Atualmente, a barragem não receberia material, pois o beneficiamento do minério na unidade é feito à seco, ainda de acordo com o site. Para efeito de comparação, a barragem da Samarco que em 2015 se rompeu, soterrando o distrito de Bento Rodrigues e matando 19 pessoas, tinha 50 milhões m³ de rejeitos.

Em primeira análise, o Ibama afirma que a primeira estrutura receptora dos impactos seria a Barragem de Retiro Baixo, a cerca de 150 quilômetros do ponto de rompimento. A equipe do Núcleo de Prevenção e Atendimento a Emergências Ambientais do Ibama se deslocou para o local com servidores da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Minas.